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26/03/2008 - Zero Hora, Segundo Caderno (Patricia Rocha)
Feliz aniversário, Gaia

Feliz aniversário, Gaia

Gaia se acha tão esquisita quanto uma cidade que tem pontes com árvores plantadas. Sim, Palmeiras-da-Califórnia que se ergueram do concreto. Duvida? Então cruze a Avenida Ipiranga, pela João Pessoa. Lá está o cenário por onde começa a aventura de uma menina em uma cidade real.

A adolescente que faz aniversário no mesmo dia que Porto Alegre é a protagonista do primeiro livro infanto-juvenil de Cíntia Moscovich, Mais ou Menos Normal (Publifolha, 112 páginas, R$ 19,90). Aproveitando a semana da cidade, o lançamento será hoje, às 19h, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country (Tulio de Rose, 100).

A estréia no segmento veio sob encomenda: o convite da editora para fazer parte da coleção Cidades Visíveis pedia uma história em que Porto Alegre fosse uma personagem. Cíntia, autora de títulos como Duas Iguais e Arquitetura do Arco-íris, topou o desafio. Conversou antes com amigos que já escreviam para os pequenos e ouviu a dica de Marcelo Carneiro da Cunha:

- É a mesma coisa, só põe ação.

A escritora seguiu a dica: Mais ou Menos Normal tem até perseguição de carro.

- Adorei a experiência, é muito mais livre escrever para crianças do que para adultos. A gente solta a mão.

A ação começa aos poucos. Primeiro o leitor conhece Gaia, é uma garota que queria se sentir "normal", mas, a começar pelo próprio nome, se achava completamente diferente dos outros. Os pais ripongas a haviam criado à base de filosofias zen, comida natureba, roupas feitas de tecidos reciclados - nada de TV, refrigerante ou shopping. Talvez por isso não tivesse uma turma de amigos, só dois deles. Então, Gaia encucou que, vai ver, ela era adotada. É essa dúvida que move boa parte da trama, entremeadas com um grande incidente que se anuncia, a conta-gotas, a cada capítulo, e a muitas referências à cidade.

O cenário vai do Moinhos de Vento, onde a garota mora (assim como a escritora), passando pelo Colégio Rosário, o Brique da Redenção, o Mercado Público, a Usina do Gasômetro e a Feira do Livro da cidade.

- Fui bem egoísta - brinca Cíntia. - Peguei da cidade o que faz a minha Porto Alegre.



PATRÍCIA ROCHA


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