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12/11/2008 - No Pentimento (Blog de Marcelo Moutinho)
Arquitetura do arco-íris

Estou absolutamente fascinado com os contos de Cíntia Moscovich em Arquitetura do arco-íris, que li ontem à noite, de uma vez só. O livro me encantou por várias razões. A coerência interna que lhe conferece unidade e evita que se transforme tão-só numa seleta de histórias curtas. A prosa sofisticada de Cíntia, que recorre à metáfora sem medo e em momentos precisos, num ponto ideal entre a secura e o mero barroquismo. Os inspirados títulos (da obra e de cada narrativa). E, enfim, a temática: idiossincrasias e afetos que grassam em todo núcleo familiar.

Num movimento semelhante ao da avó-personagem do conto O telhado e a violonista, os narradores parecem a todo tempo recolher "lembranças encravadas numa rebarba de tempo". Lembranças que são o combustível das dez histórias. Líricas. Comoventes. Doloridas. Cerzidas com uma delicadeza que às vezes se releva áspera como lixa e que confirma a frase pescada de um textos: de fato, "a lágrima é o sal da dor".

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