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18/08/2010 - Zero Hora - Segundo Caderno
Autores gaúchos autografam audiolivros (por Gustavo Brigatti)

Poderia ter contado, interpretado ou mesmo narrado, mas o que a atriz Letícia Schwartz fez foi apenas falar. Falando, ela colocou em áudio as obras Na Noite Estrelada, de Carlos Urbim, A Rua dos Amores Secretos, de Jane Tutikian, e Por que Sou Gorda, Mamãe?, de Cíntia Moscovich, no projeto Livro de Ouvir – que tem sessão de autógrafos hoje, na Capital. E o resultado são três livros que, mesmo na voz de um terceiro, permitem que o ouvinte viaje nas histórias como se estivesse lendo.

Aúnica exceção foi com Na Noite..., cujas ilustrações, importantes para a compreensão do texto, foram descritas por Letícia durante a leitura. Nos demais, salvo ajustes de pronúncias para expressões estrangeiras, toda gravação foi feita da maneira mais natural possível – uma exigência que a atriz descobriu quando foi a campo pesquisar:

– O ouvinte de um audiolivro não quer que o leitor dê sua versão da obra, sua interpretação. Ao mesmo tempo, a leitura precisa ser expressiva. Esse equilíbrio é extremamente delicado.

Questões físicas e técnicas também foram um desafio. Para evitar que um capítulo (ou mesmo parágrafo) soasse diferente do seguinte, todo cuidado com a captação do áudio foi tomado, incluindo posicionamento do microfone no estúdio e as condições vocais da atriz. Nos cinco meses necessários para o registro dos CDs, entre novembro de 2009 e abril deste ano, algumas gravações precisaram ser reagendadas por conta de problemas na voz de Letícia, por exemplo.

Depois de escolhidas as obras (“queria a maior diversidade de estilos possível, daí um romance, um livro de contos e um infantil”, salienta a atriz), imergir no universo de cada história foi o próximo passo. Letícia leu e releu primeiro como leitora, tentando guardar as sensações do contato inicial com o texto. Depois, buscando o tom ideal para cada gravação.

Cíntia Moscovich deu total liberdade para Letícia, auxiliando só na pronúncia de expressões em iídiche presentes em Por que Sou Gorda, Mamãe?. E se impressionou com o resultado:

– Ficou melhor do que eu imaginava. Acho o trabalho da Letícia muito comovente pelo tanto que há nele de cuidado e carinho com o trabalho do autor.

Os audiolivros estão divididos por faixas, de acordo com os capítulos que existem em papel. Além dos audiolivros, Letícia está trabalhando com audiodescrições, recurso que engloba também cinema. Um dos primeiros filmes a ganhar audiodescrição pela atriz foi Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo.

gustavo.brigatti@zerohora.com.br



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