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12/11/2012 - Blog Ossos do Ofídio, de Marcelino Freire
Uma parada para leitura

BALADA LITERÁRIA 2012
UMA PARADA PARA LEITURA

13/11/2012 por MARCELINO FREIRE

Aí eu disparo nessas minhas viagens. E em invenções e eventos. E em baladas atiradas, perdidas. Que as minhas leituras vão ficando sem tempo. A concentração de que preciso. Por exemplo: não tenho ido ao cinema. Como me fixar em alguma película com o juízo assim, disparado, a mil? Filmando tudo, de longe, sem descanso. Meu fôlego. Meu Cristo! Em dezembro, desapareço. E só volto pós-Carnaval. Mas enfim… O que eu quero dizer é que um livro me pegou de jeito, no meio deste tiroteio. E li num gole. As frases tocaram meu peito. Certeiras, no alvo. Falo do novo livro de contos da gaúcha Cíntia Moscovich. Vixe! A mesma sensação que eu tive quando li o romance Os Malaquias, de Andréa Del Fuego. A humanidade toda igualmente ali, nos parágrafos. Os grandes personagens, percalços. As ambientações, pulsações maduras. Título da obra: Essa Coisa Brilhante que É a Chuva. Editora: Record. Telefonei hoje para Cíntia. Mulher, não faz isto. Descortinar dores velhas. Famílias e mobílias. Ir por dentro das casas. Fazer nossa morada a morada de cada uma daquelas criaturas. Criadas e sustentadas por ela. Tão reais. Vivendo na infância, adolescência. No final da vida. Na descoberta das primeiras rugas, espelhadas. Cíntia chega plena a essas histórias. Mal resumidas aqui, por mim, é claro. Mas enraizadas em algum lugar de minha alma. Não duvidem. Clássicos de verdade. Aleluia. Escritor é aquele, sempre digo, que “inscreve”. Muito mais do que “escreve”. Saio dessa Chuva transformado. Tomado que fui, quem diria, no centro, em que estou, de uma tempestade. O banho de que eu precisava. Salve, salve!
Espalhe por aí

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